Muitas histórias se contam sobre a primeira materialização da Loja Cavaleiros da Luz no planeta. Em uma delas, consta que deu-se em 1797, na costa da Bahia, a bordo da fragata francesa La Preneuse, sob comando do Capitão Larcher. Acreditamos que ocorreu, sim, sob sua coordenação, mas a bordo da nau portuguesa Boa Viagem, fundeada próximo a Monte Cristo, na Baía de Todos os Santos.
Segundo o blog da ARLS de Campos Ribeiro, do Pará (
http://dcr51.blogspot.com/2008/05/primeira-loja-manica-no-brasil-irmo.html), "[...] historiadores de renome no mundo maçônico – José Castellani, Frederico Guilherme Costa, Ricardo Mário Gonçalves, entre outros – escreveram que a primeira Loja fundada no Brasil foi a "Cavaleiros da Luz". Para tanto, eles se baseavam em escrito de F. Borges de Barros, publicado no Volume XV dos Anais do Arquivo Público da Bahia, intitulado Primórdios das Sociedades Secretas da Bahia, onde se afirma que tendo aportado a Salvador a fragata francesa "La Preneuse", comandada pelo Capitão Larcher, logo se tornou alvo de visitas dos homens mais esclarecidos da terra e que dessas visitas, que se converteram em reuniões, surgiu a 14 de julho de 1797 a Loja Maçônica "Cavaleiros da Luz". O escrito de Borges de Barros é de 1928. José Castellani, em artigo publicado na Revista Acácia, nº 33, de Porto Alegre, diz das razões por que a fonte de informação era respeitável: Borges de Barros, que era Diretor do Arquivo Público da Bahia e Grão-Mestre da Grande Loja da Bahia – a primeira a ser fundada no Brasil, quando da cisão de 1927 – publicou, em 1928, no volume XV dos Anais do Arquivo, às paginas 44 e 45, a história da "Cavaleiros da Luz", informando que as reuniões preparatórias teriam sido realizadas a bordo da fragata "La Preneuse", sob liderança do comandante Larcher. A posição de Borges de Barros e sua intimidade com os arquivos tornavam fidedigna essa informação. E mesmo com contestações, não pode ser descartada a existência da "Cavaleiros da Luz", sem profundo exame da questão. Tinha-se, pois, como certo que a primeira Loja Maçônica fundada no Brasil fora a "Cavaleiros da Luz", fato que teria ocorrido na povoação da Barra aos 14 de julho de 1797. Essas observações de Castellani eram necessárias, porque surgiram sérias dúvidas sobre a veracidade das informações dadas por Borges de Barros, depois que apareceram documentos que negavam a presença da fragata "La Preneuse" em águas territoriais baianas. Quando exercíamos o Veneralato de nossa Loja "Ponto no Espaço 279" (94/95), convidamos nosso Irm:. e historiador, professor da USP, Ricardo Mário Gonçalves para uma palestra sobre a primeira Loja Maçônica do Brasil e fomos surpreendidos ao ouvirmos daquele nosso ilustre Irm:. que a fragata "La Preneuse" jamais estivera no Brasil. O palestrante dizia que fazia tal afirmação escudado em trabalho publicado pelo historiador Luiz Henrique Dias Tavares que, por sua vez, fundamentava sua assertiva, baseado em pesquisa feita pela historiadora Kátia de Queirós Mattoso nos arquivos Nacional e da Marinha, em Paris. Além de "La Preneuse" jamais ter estado no Brasil, Larcher, quando esteve em Salvador, desembarcou do navio "Boa Viagem", em novembro de 1796, tendo embarcado de regresso à França em 2 de janeiro de 1797. E o ilustre palestrante argumentou: Se a "Cavaleiros da Luz" foi inaugurada em julho de 1797 e Larcher havia embarcado em janeiro daquele ano, como poderia aquele oficial da marinha francesa ter participado da fundação da Loja, conforme se apregoa? [...]".